Segundo estudos antropológicos, uma geração compreende-se de 0 a 27 anos de idade. Nós que nascemos na década de 1960, pertencemos a uma geração, cujo ciclo foi completado em 1987. (Isso se os estudos não descobriram dados novos). Essa geração tem muito, mas muitos sonhos em comum. Muitos de nós tivemos datas de nascimento iguais, estudávamos para a vida, pois nosso grande mercado de trabalho era a roça. Não tínhamos ideia da cidade grande, apesar de ouvi o programa do Zé Bettio. O "camaro amarelo" da época, era o carro de boi, a bicicleta (Monark) e nosso e-mail era a carta e o telegrama, nossa luz elétrica, era o candeeiro. Grandes homens e mulheres, nossa geração educou e eles e elas fizeram a história e continuam fazendo. 


Nós da geração de 1960, que nascemos em Soares, um povoado que atualmente pertence ao município de América Dourada Pmad, vivemos grandes e inesquecíveis momentos, desde as Festas de São Benedito em Soares de Baixo, às noites de carnaval e matinês, as Jinkanas do colégio CENEC às festas de fins de ano, quando no outro dia bem cedo, figuras engraçadas, andavam pelas ruas, sujas de talco. Era estranho aos meus olhos, mas representava a virada de ano.

As amizades eram as melhores possíveis, riamos de tudo, tudo era novidade e festa! A nossa boate, Dancyng Days, era o único ponto de encontro aos domingo à noite. Os chafarizes, eram nosso local de curti o recreio escolar, ali colocávamos a vida cotidiana em dia. Jamais imaginei está vivendo o que hoje sou e vivo. Mas também não queria ser um trabalhador de roça. O caminho estava aberto e nele caminharia aquele e aquela que melhor se preparasse e ou sonhasse... os bons e puros seres da geração de Soares, a partir de 1987, iniciou a saída, seu êxodo rumos à grande esperança de ganhar a vida - São Paulo. São Paulo era a "solução" e vi muitos e muitas desses bons amigos e boas amigas, partirem para trabalhar em São Paulo. Outros em número bem menor, foram para outros lugares, Brasília, por exemplo. Eu queria ser padre e por isso, fiquei até 1991, entre Soares e Irecê. Depois morrei em Barreiras e fui mais um dos filhos de Soares, que não retornou mais à sua terra natal.

Visito aos meus diletos e diletas em Soares, não deixo de retornar à Terra que me nutriu e me ajudou a crescer. É importante para mim. Nesse contexto, não bastasse a distância, os desencontros, as buscas e o tempo sem nos reencontrarmos, hoje, 29 de maio, um grande amigo-irmão dessa geração e que tanto nos fez sorri, parte, fez sua páscoa, finalizou a sua missão entre nós. Infelizmente, não estamos perto e ele partiu sem um "até logo", sem um abraço daqueles e daquelas que com ele viveu essas aventuras em Soares, mas esse ser desconhecido de tantas pessoas, é importante para nós. Gilvalter Ribeiro de Sena (o apelidado, Gil de Zeca). Com a páscoa de Gil, em mim desfaz-se mais uma raiz de minha modesta vida, mais um ator da peça desse grande teatro, chamado vida, deixa de atuar. Mas nós vamos continuar atuando e fazendo a história por ai.

Texto redigido pelo Professor Dumas em homenagem ao falecido Gilvalter Ribeiro no último fim de semana.   

Prof. Dumas | Domingos Barbosa Santos
Postado por: Osemar Nunes

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